Centenas de corpos apodrecem sob o sol no Hospital Central de Porto Príncipe diante do olhar impotente dos haitianos e no jardim do centro médico, que foi quase totalmente destruído pelo terremoto, enquanto os feridos imploram por um médico e rezam para que não acabem no “pátio dos mortos”.
Ruas também estavam cheias de cadáveres retirados dos escombros. Socorristas davam prioridade a resgatar sobreviventes, amontoando corpos pelos caminhos.
Sem luvas e com algodões empapados em álcool para se protegerem do odor da putrefação, as pessoas procuram parentes em meio a uma montanha de corpos, mutilados, seminus, cobertos de poeira e infestados de moscas, com a esperança de dar a eles um enterro digno.
Famílias inteiras surpreendidas pela morte jazem neste necrotério superlotado. A cada meia hora, um caminhão da Polícia local vem e despeja mais corpos neste pátio. Sem luvas, sem máscaras e com suas próprias mãos, dezenas de voluntários ajudam na tarefa.
“É preciso enterrar os mortos para evitar que a cidade se transforme em um grande foco de infecção”, afirma uma enfermeira observando a área desolada.
O Hospital Central de Porto Príncipe foi tão danificado pelo terremoto que nenhuma de suas instalações pode ser utilizada. Dois médicos haitianos tentam atender, exaustos, as dezenas de feridos que invadiram o centro médico e esperam ajuda, deitados no chão ou em colchões encontrados no hospital.
Vários feridos gritam incansavelmente de dor e injetam em si mesmos os calmantes que encontraram na farmácia do hospital. Alguns deles morrem devido à hemorragia, diante dos olhares perplexos de seus familiares, impotentes.
Fonte: Àcritica e Nurian Lavareda
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